Sentença de réu acusado de 12 crimes deve ser anunciada pela juíza Milena Dias no início da noite de hoje.
Chega à reta final o julgamento de Lindemberg Alves, 25 anos, preso desde outubro de 2008, no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Tremembé. O réu foi detido em flagrante após manter por 100 horas a ex namorada e uma amiga dela sob cárcere privado. O caso teve por fim uma tragédia: policiais do Gate invadiram o apartamento usado com cativeiro e as duas adolescentes, na época com 15 anos, foram baleadas. Nayara Rodrigues, ferida na face, sobreviveu. Já a ex namorada de Lindemberg, Eloá Pimentel, foi baleada na cabeça e morreu horas após ser libertada, no Centro Hospitalar Municipal (CHM) de Santo André.
Os trabalhos no tribunal do júri, no Fórum de Santo André, começaram na manhã da última segunda-feira e atraíram, álém da imprensa, curiosos e parentes do réu e das vítimas.
Após 40 horas de depoimentos de testemunhas arroladas pela defesa, acusação e em juízo, finalmente, dentro de algumas horas, a juíza Milena Dias deverá anunciar a sentença contra Lindemberg.
O réu confessou que atirou contra a ex namorada, mas alegou que o crime não foi premeditado. O argumento é rebatido pelos advogados de acusação e pela promotoria, já que o rapaz, na época com 22 anos, chegou ao apartamento onde a ex morava com a família, no Jardim Santo André, armado com um revólver calibre 32 e um saco cheio de munição. Naquele momento, Eloá estava acompanhada da amiga Nayara e de outros dois colegas de escola. Eles faziam um trabalho do colégio, mas a fúria de Lindemberg foi incitada já que ele desconfiava de que Eloá havia "ficado" com um dos colegas que estavam na sua casa.
Inicialmente, os quatro teriam sido mantidos sob cárcere privado, de acordo com a acusação. Lindemberg nega. Diante dos sete jurados, ele disse que jamais obrigou os rapazes e a própria Nayara a permanecerem no apartamento. A estratégia visa pôr por terra as quatro acusações contra ele de cárcere privado.
Reta fina
Agora, na retomada dos trabalhos no tribunal do júri, após a pausa para o almoço, começa a fase da réplica e da tréplica. O anúncio da sentença está diretamente relacionado ao pedido de uso da palavra pelas partes. Alguns advogados criminalistas acreditam que esta fase é desnecessária e que assim que os jurados voltem ao plenário devem se reunir na sala secreta para votarem pela condenação ou absolvição de Lindemberg.
As chances de que o réu seja condenado há mais de 50 anos de reclusão são grandes, diante das 12 acusações e de suas qualificações.
No entanto, diante dos jurados, a advogada de defesa Ana Lúcia Assad tentou, em todos os instantes, gerar dúvidas na cabeça dos sete membros que compõem o júri, em especial sobre a motivação dos disparos, a influência da polícia e da imprensa para o desfecho trágico e o verdadeiro sentimento que Lindemberg nutria por Eloá Pimentel.